Somos um coletivo de mulheres escritoras, nomeadas poetas, não poetisas, pois este termo é atribuído com um significado pejorativo, cuja carga semântica denota certa diminuição e inferioriza a literatura produzida por nós mulheres. Somos livres. Por muito tempo permanecemos à margem de um padrão que prioriza o ponto de vista masculino em qualquer tipo de produção intelectual. Por muito tempo os “e
scritores anônimos” fomos nós. Ainda lutamos para que nossa escrita seja respeitada, seja nas ruas, academias, artigos científicos, editoras ou qualquer forma de divulgação de nossas obras. Cotidianamente nas entradas de museus, praças, eventos, lugares inexplorados e em alguma esquina da vida e do Brasil há de brotar alguma poeta, artista que acima de tudo tenta se transpor, se recolocar na sociedade, que ainda assim não aceita as individualidades de escolha principalmente de mulheres. Ainda somos vistas como seres "frágeis", "inaptas" ou que simplesmente não deveriam estar desempenhando tal papel naquele espaço e tempo. Identificamos o potencial revolucionário de toda forma de expressão artística e acreditamos no papel transformador das construções coletivas. Tendo encontrado na poesia apoio e respeito mútuo enquanto mulheres, nos decidimos por nos unir na construção de espaços e materiais que protagonizam nossas produções. Esperamos compartilhar e desconstruir a lógica hegemonicamente patriarcal e machista do dia a dia, contando com a ajuda de nossos companheiros também poetas e artistas independentes na divulgação e reflexão acerca dos papéis que desempenhamos enquanto seres sociais intimamente interessados em uma lógica de vida menos estigmatizadora, não mais pautada em dominação por gênero e classe.