18/08/2026
A tal zona de conforto
Tantas recomendações para abandonar a zona de conforto e eu aqui, curiosa para saber como entrar nela.
Se esse é um lugar do qual devemos sair, como pode ser considerado “de conforto”? Sob a minha ótica, zona de conforto é algo bom, agradável, próspero, feliz. Quando me encontro estagnada, travada, deduzo que há um bloqueio e que, para me livrar dele, necessito de movimento. No máximo, chamaria isso de zona de acomodação.
O ser humano possui essa característica: inconscientemente, sente-se mais seguro em um lugar desconfortável porém conhecido do que arriscando um lugar melhor e confortável, pelo simples fato de ser desconhecido. O desconhecido carrega a ideia de insegurança. Quando ouvimos essa palavra, imediatamente nos vem à mente a imagem do perigo — até porque aprendemos que segurança está relacionada ao controle.
Sobre a tal “zona de conforto”: é mais cômodo corresponder às expectativas dos outros e da sociedade do que sermos autênticos. Afinal, estamos acomodados diante do que atende ao que esperam de nós. Atenção para o detalhe: mais cômodo, não melhor. Muitas das nossas maiores dificuldades se originam daí: dizer não, assumir a própria autenticidade, escolher o que nos agrada, ousar ser diferente. E então permanecemos nesse falso “conforto” que é o simples encaixar-se.
A sociedade nos oferece inúmeras formas de nos enquadrarmos: ensina a ser “mais feminina, mais masculino, mais eloquente, mais extrovertido, mais bem-sucedido, mais bem-vestido, mais isso e mais aquilo”. O problema é que a pergunta mais importante raramente é feita: você quer se encaixar?
Convido você a refletir sobre isso.
Particularmente, acredito no autoconhecimento e na libertação. Na minha própria libertação: aquela que me permite ser quem sou, sem precisar atender a expectativas alheias para me sentir bem. E creio que, assim como para mim, esse seja o maior sonho de muitas pessoas: a liberdade de ser como se é.
Imagine um mundo onde as pessoas sejam verdadeiramente livres para exercer a própria autenticidade, sem se sentirem inadequadas por isso.
Essa, sim, seria uma verdadeira zona de conforto.