17/01/2016
Descobridor do HIV procura “cura” para SIDA
Maputo, 21 Mar. (AIM) – O prémio Nobel de Medicina, o francês Luc Montagnier, encontra-se em Maputo, capital moçambicana, para apresentar os resultados de uma pesquisa sobre um suplemento alimentar com efeitos “muito positivos” para os doentes de SIDA, a Moringa.
Laureado com o Prémio Nobel como reconhecimento à sua descoberta do Vírus de Imunodeficiência Humana (HIV), o professor Montagnier tem estado, nos últimos anos, a investigar o uso de suplementos alimentares benéficos para a prevenção ou combate ao HIV.
O referido trabalho é realizado com a colaboração da “Edge to Edge Global Investiment Limited (E2E)”, uma companhia sul-africana vocacionada á investigação e produção de suplementos alimentares melhorados e, recentemente, desenvolveu um produto com efeitos positivos para os doentes de SIDA.
O cientista francês foi convidado pelo antigo estadista moçambicano, Joaquim Chissano, para falar dos resultados da sua pesquisa durante o segundo encontro do Grupo Livingstone dos Antigos Chefes do Estado e de Governo Africanos, realizado hoje em Maputo.
Falando a jornalistas moçambicanos, Joaquim Chissano, que também é presidente do Fórum dos Antigos Chefes de Estado e de Governos Africanos, disse que o “E2E”, um suplemento alimentar produzido pelo cientista laureado, quando usado pelos doentes de SIDA produziu “bons resultados”.
“Este suplemento (designado Pacote Imunidade) pode reduzir a carga viral por toda a vida”, sublinhou Chissano, que diz ter tido oportunidade de se avistar com o cientista laureado em Paris, ocasião que serviu para saber, em primeira-mão, a actual etapa da investigação.
Segundo Chissano, este resultado mostra que “já vamos a direcção de uma cura”, advertindo que os investigadores ainda precisam de pelo menos um ano para aprofundar as suas pesquisas.
Este produto, cujo custo mensal e é de 50 dólares, tem um potencial para substituir as dr**as anti-retrovirais.
Chissano afirma que, na impossibilidade de produzir este suplemento alimentar, no mínimo, o continente africano tem potencial para ser fonte de matéria-prima.
Aliás, na sua intervenção na abertura deste encontro, o antigo estadista moçambicano disse que África é fonte de medicina herbária.
“Estou orgulhoso de vos dizer que conheço uma planta que se chama Moringa, que por causa das suas múltiplas qualidades nutritivas e terapêuticas tem sido fonte de inspiração para aqueles que procuram o barato e acessível na Ásia e em África para o tratamento herbário de doenças tropicais”, disse Chissano.
Segundo Chissano, ao nível do continente africano, moringa já é uma cultura largamente desenvolvida em moldes comerciais na Tanzânia e no Senegal.
“Também tenho de enfatizar que a moringa pode ser um suplemento alimentar e nutritivo para obter os resultados desejados”, acrescentou, sublinhando que ele próprio já começou a desenvolver a cultura da Moringa.
Na sua intervenção durante a abertura do evento, o antigo Presidente zambiano, Kenneth Kaunda, falou do impacto nefasto do HIV/SIDA nos recursos humanos que são o recurso base para as transformações sociais almejadas no continente africano.
“O HIV/SIDA tornou-se numa ameaça séria ao nosso continente”, disse Kaunda, acrescentando que “por isso, no nosso encontro realizado em Livingstone, declaramos que estamos numa situação de guerra contra o HIV/SIDA e que devemos mobilizar todos os nossos recursos para essa guerra”.
A primeira reunião de alto nível do Grupo Livingstone realizou-se em Livingstone em 2008 e foi inspirada pela resolução da segunda Assembleia-geral do Fórum África realizado na vizinha África do Sul em 2006 que apela à participação activa de todos no combate ao HIV/SIDA, à tuberculose e malária.