14/07/2015
UM BRASIL QUE MORRE A CADA DIA, POR PORÃ
Enquanto se divide um país entre petralhas e coxinhas, tem um Brasil que está morrendo. Um Brasil da periferia, da pele preta, afundado na desigualdade, na pobreza, na falta de oportunidade. Não há governo que consiga aplacar a dor de famílias destruídas pela violência. Seja ele petralha ou coxinha. Notícia publicada na Zero Hora desta segunda traz os dados de uma geração assassinada. De um futuro perdido. As mortes de jovens aumentaram 61% na região metropolitana de Porto Alegre.
Um jovem é morto a cada três dias, antes de chegar à maioridade. Grande parte deles está em regiões dominadas pelo tráfico, mas nem sempre estão envolvidos com a correria das dr**as. Estão no lugar errado, na hora errada. No Brasil, a média é de dez adolescentes assassinados por dia, tornando o homicídio a principal causa de morte de jovens de 16 e 17.
Armas ilegais, tráfico de entorpecentes, juventude sem escola e crianças mortas. É assim que estamos levando um país para o futuro. Isso tudo é muito sério e pede uma discussão coerente. Se tantos jovens estão morrendo, envolvidos em disputas de poder por pontos de venda de dr**as, por que não enfrentamos de frente o debate sobre a legalização e uma nova política no combate a estas substâncias? Uma política que diminua a repressão e seja mais abrangente. Envolvendo educação, recuperação, saúde, lazer, esportes e oportunidades, tentando viabilizar um novo caminho para dependentes e potenciais traficantes.
Você, que está lendo este texto, pode estar pensando: “não é comigo! Não uso dr**as, não moro na periferia, tenho uma condição de vida legal”. Mas é aí que você se engana! A violência é de todos nós. Um dia ela pode bater na sua porta, na sua escola, no seu carro, na sua casa. Numa paranoia de crack, numa bala perdida.
O discurso vazio de petralhas e coxinhas não contribui em nada para melhorar essa situação. Diante de tanta raiva não conseguem enxergar que realmente precisamos é de entendimento, é propor um Brasil para todos, sem a exclusão que naturalmente tem esse discurso de ódio. Afinal de contas, nossas crianças estão morrendo.
Assim como grande parte da população, não tenho como ir embora daqui, tentar a vida em uma nação mais desenvolvida. Mesmo com tantos problemas, sou brasileiro e não desisto nunca. Me apego na esperança, no que temos de melhor, num espírito fraternal e trabalhador, na nossa criatividade, no jeitinho brasileiro para o bem. Nos resta é tentar mudar o país que temos. Esse é um sonho possível!
Pode demorar, mas podemos fazer agora um lugar melhor, se apegando nas semelhanças e não nas diferenças. Sem facada em saída de escola, sem linchamento em praça pública, eliminando preconceitos, diminuindo corrupção e violência, pra que não tenhamos de ver derramado, diariamente, o sangue de uma nova geração. O sangue do nosso futuro. Seja ele preto ou branco, rico ou pobre, gay ou hétero, petralha ou coxinha. Quando o sangue é derramado é uma vida que se vai.
Texto retirado
Enquanto se divide um país entre petralhas e coxinhas, tem um Brasil que está morrendo. Um Brasil da periferia, da …