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13/08/2026
29/06/2026

*O Culto de Deus e o Jogo do Brasil: Uma Questão de Prioridades*

Toda vez que a Copa do Mundo se aproxima, uma questão ressurge nas igrejas evangélicas brasileiras com a regularidade das marés: o que fazer quando o jogo do Brasil coincide com o horário do culto? Para muitos, a pergunta soa como óbvia — afinal, vai-se ao culto. Para outros, soa como uma questão genuinamente difícil, quase cruel. E o modo como cada um responde revela muito sobre o lugar que Deus ocupa — ou não ocupa — na hierarquia real das lealdades de sua vida.

Comecemos com o que sabemos sobre o futebol e os cristãos. As Escrituras não proíbem assistir a jogos de futebol. Torcer para o Brasil não é pecado. Alegrar-se com uma vitória da seleção não é desobediência a Deus.

O problema surge quando o futebol — ou qualquer outra coisa — compete com as obrigações que o cristão tem para com Deus e com a comunidade cristã. O culto público não é uma atividade opcional para os crentes maduros e compromissados. O autor de Hebreus foi enfático: "Não deixemos de nos reunir, como é costume de alguns, antes, encorajemo-nos uns aos outros; e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima" (Hebreus 10.25 NAA). A assembléia dos crentes não é um programa de entretenimento espiritual disponível para consumo quando mais conveniente. É o lugar onde a Palavra de Deus é pregada, onde os sacramentos são administrados, onde os crentes se encorajam mutuamente, onde a adoração pública é oferecida ao Deus que merece toda a nossa atenção e fidelidade.

A questão prática, portanto, é a seguinte: quando há um conflito real entre o jogo do Brasil e o culto da sua igreja, o que você faz? Para o crente que compreende o que o culto é — não um evento social que se frequenta por hábito, mas um ato de adoração a Deus em comunidade, no qual Cristo está presente por seu Espírito na pregação da Palavra e na administração dos sacramentos —, a resposta não deveria ser difícil. Vai-se ao culto. Grava-se o jogo. Ou não se assiste. A vida não termina porque o Brasil jogou sem a sua presença na frente da televisão.

25/06/2026

*Tecnologia, Progresso e a Soberania de Deus: Reflexões Cristãs sobre o Futuro*

Uma das tentações intelectuais de nosso tempo é pensar que o desenvolvimento tecnológico acelerado representa uma novidade tão radical que as categorias bíblicas e teológicas simplesmente não são suficientes para orientar a nossa compreensão. Seria ingênuo, pensam alguns, trazer as Escrituras escritas há milênios para dialogar com questões de inteligência artificial, biotecnologia, transhumanismo e colonização espacial. Esse ceticismo, porém, revela uma compreensão empobrecida tanto da Bíblia quanto da condição humana.

A Bíblia não é um manual de tecnologia, mas é uma revelação sobre Deus, sobre o ser humano e sobre a relação entre os dois — e é precisamente essa revelação que ilumina a questão do progresso tecnológico. Vários pontos fundamentais merecem atenção. Primeiro, o desenvolvimento tecnológico não está fora da soberania de Deus. Aquele que governa o universo com perfeita sabedoria e poder não foi apanhado de surpresa pelo surgimento da inteligência artificial. Deus não está nervoso. A Palavra de Deus continua sendo verdadeira, e os propósitos de Deus na história continuam marchando em direção ao seu cumprimento definitivo, independentemente de quais ferramentas tecnológicas estejam à disposição dos homens num dado momento da história.

Segundo, o progresso tecnológico é moralmente ambíguo. Ele não é inerentemente bom, nem inerentemente mau. Toda tecnologia amplifica as capacidades humanas — para o bem e para o mal. O fogo cozinha alimentos e queima cidades. A imprensa difundiu o Evangelho e difundiu a propaganda nazista. A internet permitiu acesso sem precedentes ao conhecimento bíblico em línguas minoritárias e criou ao mesmo tempo os maiores mercados de pornografia da história humana. A inteligência artificial tem potencial imenso para o bem — no campo da saúde, da educação, do cuidado pelo pobre e necessitado —, mas também é uma ferramenta poderosa para a desinformação, a manipulação e a concentração de poder nas mãos de poucos. O cristão não deve ser nem um entusiasta ingênuo da tecnologia, nem um reacionário que a rejeita em bloco. Deve ser um discernidor, alguém que pergunta em cada caso: como esta ferramenta pode ser usada para a glória de Deus e o bem do próximo, e como está sendo usada para o oposto?

Terceiro, a esperança cristã não está no progresso, mas na volta de Cristo. Um dos erros mais comuns do nosso tempo — e que contamina até mesmo alguns círculos evangélicos — é confundir o avanço tecnológico com o avanço do Reino de Deus, ou imaginar que a humanidade está evoluindo em direção a um futuro melhor por força de seu próprio desenvolvimento. A Bíblia não ensina isso. Ela ensina que o mundo vai piorar antes de melhorar, que o retorno de Cristo será precedido por tribulações, e que a consumação da história não virá pelo esforço humano, mas pela intervenção soberana de Deus. O que o cristão faz com a tecnologia disponível é usá-la para cumprir a Grande Comissão, para pregar o Evangelho, para servir ao próximo, para glorificar a Deus nos dias que ainda restam antes do fim. Esse é o enquadramento correto para pensar sobre o futuro tecnológico: não com utopia nem com distopia, mas com esperança escatológica firme e ação fiel no presente.

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