23/08/2026
Fiquei completamente afastada daqui nos últimos dias.
Minha mãe estava há dois anos lutando contra um câncer no fígado. Mas, nos últimos 15 dias, tudo se agravou de uma forma tão intensa que assistir ao sofrimento dela foi, talvez, uma das coisas mais difíceis que já vivi.
E, em meio à dor, nós só tínhamos um desejo: que ela pudesse descansar.
Minha mãe foi a mais velha de 10 irmãos. Criou 4 filhos. Viveu um relacionamento abusivo. Enfrentou muitas coisas que poderiam ter feito qualquer pessoa desistir.
Mas ela não.
Minha mãe era dessas mulheres que não entregavam os pontos.
Tinha apenas 1,50 m de altura, mas ocupava um espaço enorme na vida de quem estava ao redor dela.
Era vaidosa, extremamente caprichosa, organizada, cuidadosa com tudo e, principalmente, com os filhos e netos. Não media esforços para ajudar quem amava.
E talvez por isso tenha sido tão difícil vê-la sofrer tanto.
Ao mesmo tempo em que doía vê-la daquele jeito, nós ficávamos admirados com a força que ela ainda encontrava para permanecer.
Ela resistiu.
Aguardou.
Agarrou-se à vida.
Até conseguir ver os quatro filhos perto dela para se despedir.
E então, no dia 20 de agosto, ela partiu.
Minha mãe desencarnou.
E nós ficamos com aquela mistura impossível de explicar: a dor imensa da perda e, ao mesmo tempo, a paz de saber que ela finalmente descansou.
Ainda não sei exatamente como será daqui para frente.
Sei apenas que serão muitas as lembranças.
Dos seus cuidados.
Das suas manias.
Da sua vaidade.
Do seu jeito de organizar tudo.
Da sua força.
Da maneira como dava presentes de forma escondida para os filhos e netos.
Do seu amor.
E de tantos ensinamentos que ela deixou em nós sem sequer perceber.
O luto tem disso.
A pessoa parte, mas aquilo que ela construiu dentro da gente permanece.
Por enquanto, estou aprendendo a conviver com a saudade, com o silêncio e com essa nova realidade.
E, aos poucos, vou voltando.
Não para a vida que eu tinha antes.
Mas para a vida que ficou.
Mãe, descanse.
A senhora já fez muito.
E deixou muito de si em nós. 🤍