30/05/2026
Encontro Internacional da Crioulidade Atlântica; Painel Inovação e Indústrias Criativas evidencia força da língua, cultura e saber crioulos
Vamos chegando ao fim do último painel deste nosso Encontro Internacional da Crioulidade, e mais uma apresentação de alta qualidade à volta do tema “Crioulidade, Inovação e Indústrias Criativas”, com o professor Richenel Ansano (Curaçau), antropólogo cultural, curandeiro, guia transformacional e especialista em património, que abordou a inovação ligada à natureza e a possibilidade de desenvolvimento sustentável aproveitando o que a natureza nos dá. Citou o exemplo da Acácia, com as suas múltiplas utilidades (medicina, combate à erosão e desertificação, etc.).
Saulo Montrond, empresário cabo-verdiano do ramo da comunicação e inovação, apresentou as suas ideias sobre a necessidade das nações crioulas ambicionarem não apenas produzir conteúdo (seja cultural ou científico), mas também conquistarem espaço como donos das tecnologias, incluindo a produção de inteligência artificial, e sermos igualmente donos dos canais. Saulo e a sua equipa na riftOne Technologies estão por trás do Rift One, um mini-computador e dispositivo inteligente “tudo-em-um”, capaz de conectar e enviar dados e mensagens a uma distância de até 10 km sem conexão à internet, com um custo em torno de 100 dólares.
Nesse diálogo entre Curaçau e Cabo Verde, desenha-se a expansão da TVA — pertencente ao grupo liderado por Saulo Montrond e que já tem presença em vários países lusófonos africanos — para aquele país, tendo em conta a proximidade cultural e linguística entre os nossos dois povos (crioulo ou língua cabo-verdiana e o papiamento).
O evento proporcionou um interessante debate, onde se concordou com a premissa de que não podemos ser meros consumidores: precisamos ser também produtores e donos da nossa narrativa (deter os canais).
A questão linguística foi igualmente foco nesse debate, com uma participante a destacar o valor económico do crioulo (língua cabo-verdiana), que gera oportunidades para intérpretes e tradutores. As línguas crioulas no cinema, na arte em geral… Enfim, um manancial de oportunidades para mostrar a força da Crioulidade.
Porque “Nôs tud, nôs é Kriol!”