Em defesa do TVDE

Em defesa do TVDE Em defesa do TVDE

12/06/2026

ANM-TVDE contesta junto do Governo a proposta de criação de uma Taxa de Ocupação no setor TVDE, a ser negociada diretamente entre operadores e plataformas digitais

ANM-TVDE denuncia manifesto de interesses instalados em torno da proposta de Taxa de Ocupação das Plataformas.

A Associação Nacional Movimento TVDE (ANM-TVDE) vem manifestar publicamente a sua profunda preocupação relativamente à proposta de implementação de uma Taxa de Ocupação das Plataformas, defendida por representantes da APTAD, por considerar que a mesma poderá constituir um claro benefício para um grupo restrito de grandes operadores do setor em detrimento da esmagadora maioria das Micro, Pequenas e Médias Empresas.

O Presidente da ANM-TVDE, Victor Soares, considera particularmente preocupante que uma proposta desta natureza surja precisamente num momento em que decorrem discussões sobre alterações à Lei n.º 45/2018, levantando legítimas dúvidas quanto aos interesses que poderão estar subjacentes a esta iniciativa.

A ANM-TVDE rejeita qualquer tentativa de criar mecanismos que possam favorecer uma elite de operadores com maior capacidade financeira e negocial junto das plataformas digitais, em prejuízo dos restantes operadores do mercado. Consideramos que esta proposta representa um manifesto claro de interesses instalados, destinado a reforçar vantagens competitivas de uma minoria que já beneficia de relações privilegiadas estabelecidas diretamente com as plataformas desde os primeiros anos de atividade do setor.

Para a ANM-TVDE, a eventual criação de uma Taxa de Ocupação poderá traduzir-se num instrumento de concentração de mercado, penalizando as Micro, Pequenas e Médias Empresas que não dispõem do mesmo poder negocial nem dos mesmos recursos financeiros para obter condições vantajosas junto das plataformas.

Victor Soares considera que a apresentação desta proposta por uma associação que afirma defender a igualdade de oportunidades para todos os operadores do setor revela uma contradição evidente. Na prática, esta medida poderá contribuir para reforçar o domínio de um grupo restrito de grandes parceiros, criando desigualdades ainda maiores num mercado que deveria pautar-se pela livre concorrência e pela equidade entre todos os agentes económicos.

A ANM-TVDE destaca ainda que o setor TVDE tem vindo a evoluir significativamente nos últimos anos, assistindo-se ao crescimento contínuo do número de Micro, Pequenas e Médias Empresas criadas pelos próprios motoristas. Cada vez mais profissionais optam por abandonar modelos de dependência económica dos grandes operadores, alugando veículos aos parceiros e constituindo as suas próprias empresas, assumindo diretamente a gestão da sua atividade. Esta realidade demonstra o dinamismo, a capacidade empreendedora e a vontade de independência de milhares de motoristas que hoje contribuem ativamente para o desenvolvimento do setor.

Qualquer medida que promova vantagens negociais para um grupo restrito de operadores representa um obstáculo ao crescimento desta nova geração de empresários TVDE, colocando em causa a igualdade de oportunidades e dificultando a consolidação de um mercado mais equilibrado e competitivo.

A ANM-TVDE alerta ainda que o setor TVDE não pode continuar a ser construído em benefício de alguns enquanto milhares de motoristas e pequenas empresas continuam a enfrentar dificuldades económicas crescentes. O futuro do setor deve assentar na transparência, na igualdade de oportunidades e na proteção de todos os operadores, independentemente da sua dimensão.

A ANM-TVDE repudia categoricamente este manifesto de interesses promovido por um grupo minoritário do setor TVDE, que pretende transformar uma discussão de interesse público numa oportunidade para garantir benefícios particulares e vantagens negociais junto das plataformas digitais. Esta posição não representa a realidade da maioria dos operadores nacionais, mas sim os interesses específicos de uma elite económica que procura reforçar a sua influência e domínio no mercado.

A Associação reafirma que continuará a combater todas as iniciativas que promovam desigualdades no setor e que favoreçam grupos privilegiados em detrimento da maioria dos operadores e motoristas. Portugal necessita de um setor TVDE mais justo, mais equilibrado e mais transparente, onde as regras sejam iguais para todos e não desenhadas à medida dos interesses de uma minoria.

A ANM-TVDE deixa ainda um alerta a todos os representantes, associações e restantes intervenientes do setor TVDE para que apresentem propostas de alteração à Lei n.º 45/2018 livres de interesses próprios ou particulares, privilegiando soluções que promovam a qualidade do serviço, a sustentabilidade económica do setor e a equidade entre todos os operadores. As futuras alterações legislativas devem servir o interesse coletivo do setor TVDE e não os objetivos específicos de grupos ou interesses minoritários.

A ANM-TVDE continuará a defender os interesses dos motoristas, das Micro, Pequenas e Médias Empresas e de todos aqueles que diariamente contribuem para o desenvolvimento sustentável do setor TVDE em Portugal.

Associação Nacional Movimento TVDE.
Presidente
Victor Soares.

𝗙𝗮ç𝗮 𝗮 𝘀𝘂𝗮 𝗶𝗻𝘀𝗰𝗿𝗶çã𝗼 𝗻𝗮 𝗔𝗡𝗠-𝗧𝗩𝗗𝗘 👇👇👇

🚗 𝗧𝗩𝗗𝗘: 𝗢 𝗧𝗥𝗔𝗡𝗦𝗣𝗢𝗥𝗧𝗘 𝗗𝗢 𝗣𝗥𝗘𝗦𝗘𝗡𝗧𝗘. 𝗔 𝗠𝗢𝗕𝗜𝗟𝗜𝗗𝗔𝗗𝗘 𝗗𝗢 𝗙𝗨𝗧𝗨𝗥𝗢. 🇵🇹.

🤝 𝗨𝗺 𝗣𝗮𝗿𝗰𝗲𝗶𝗿𝗼 𝗱𝗲 𝗖𝗼𝗻𝗳𝗶𝗮𝗻ç𝗮 𝗱𝗮 𝗔𝘀𝘀𝗼𝗰𝗶𝗮çã𝗼 𝗡𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹 𝗠𝗼𝘃𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗧𝗩𝗗𝗘.

𝗝𝘂𝗻𝘁𝗮-𝘁𝗲 à 𝗠𝗮𝗶𝗼𝗿 𝗔𝘀𝘀𝗼𝗰𝗶𝗮çã𝗼 𝗱𝗲 𝗧𝗩𝗗𝗘 𝗮 𝗡í𝘃𝗲𝗹 𝗡𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹 👇👇👇

https://socios.quotasonline.pt/amtvde/inscricao.

12/06/2026

Taxa de ocupação pode falir micro empresas.

A Associação Nacional Movimento TVDE contesta uma proposta que está em debate, para criar uma taxa de ocupação no setor.

Segundo a associação, caso a proposta seja concretizada vai excluir do mercado 50% das micro e pequenas empresas. É a maioria da frota TVDE que opera na Madeira.

https://madeira.rtp.pt/economia/taxa-de-ocupacao-pode-falir-micro-empresas-video/

𝗙𝗮ç𝗮 𝗮 𝘀𝘂𝗮 𝗶𝗻𝘀𝗰𝗿𝗶çã𝗼 𝗻𝗮 𝗔𝗡𝗠-𝗧𝗩𝗗𝗘 👇👇👇

🚗 𝗧𝗩𝗗𝗘: 𝗢 𝗧𝗥𝗔𝗡𝗦𝗣𝗢𝗥𝗧𝗘 𝗗𝗢 𝗣𝗥𝗘𝗦𝗘𝗡𝗧𝗘. 𝗔 𝗠𝗢𝗕𝗜𝗟𝗜𝗗𝗔𝗗𝗘 𝗗𝗢 𝗙𝗨𝗧𝗨𝗥𝗢. 🇵🇹.

🤝 𝗨𝗺 𝗣𝗮𝗿𝗰𝗲𝗶𝗿𝗼 𝗱𝗲 𝗖𝗼𝗻𝗳𝗶𝗮𝗻ç𝗮 𝗱𝗮 𝗔𝘀𝘀𝗼𝗰𝗶𝗮çã𝗼 𝗡𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹 𝗠𝗼𝘃𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗧𝗩𝗗𝗘.

𝗝𝘂𝗻𝘁𝗮-𝘁𝗲 à 𝗠𝗮𝗶𝗼𝗿 𝗔𝘀𝘀𝗼𝗰𝗶𝗮çã𝗼 𝗱𝗲 𝗧𝗩𝗗𝗘 𝗮 𝗡í𝘃𝗲𝗹 𝗡𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹 👇👇👇

https://socios.quotasonline.pt/amtvde/inscricao.

09/06/2026
09/06/2026

̧ão 🚗 𝗧𝗩𝗗𝗘, 𝗢 𝗠𝗔𝗜𝗦 𝗕𝗔𝗥𝗔𝗧𝗢! 🇵🇹
𝗠𝗮𝗶𝘀 𝗠𝗼𝗯𝗶𝗹𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲. 𝗠𝗮𝗶𝘀 𝗦𝗲𝗴𝘂𝗿𝗮𝗻ç𝗮. 𝗠𝗮𝗶𝘀 𝗣𝗼𝘂𝗽𝗮𝗻ç𝗮.
✅ 𝗢 𝘁𝗿𝗮𝗻𝘀𝗽𝗼𝗿𝘁𝗲 𝗺𝗮𝗶𝘀 𝗮𝗰𝗲𝘀𝘀í𝘃𝗲𝗹 𝗽𝗮𝗿𝗮 𝗳𝗮𝗺í𝗹𝗶𝗮𝘀 𝗲 𝗴𝗿𝘂𝗽𝗼𝘀 𝗱𝗲 𝗮𝗺𝗶𝗴𝗼𝘀.

✅ 𝗣𝗿𝗲ç𝗼 𝗰𝗼𝗻𝗵𝗲𝗰𝗶𝗱𝗼 𝗮𝗻𝘁𝗲𝘀 𝗱𝗮 𝘃𝗶𝗮𝗴𝗲𝗺.

✅ 𝗦𝗲𝗴𝘂𝗿𝗮𝗻ç𝗮 𝗰𝗼𝗺 𝗚𝗣𝗦 𝗲 𝗶𝗱𝗲𝗻𝘁𝗶𝗳𝗶𝗰𝗮çã𝗼 𝗱𝗼 𝗺𝗼𝘁𝗼𝗿𝗶𝘀𝘁𝗮.

✅ 𝗦𝗲𝗿𝘃𝗶ç𝗼 𝗽𝗼𝗿𝘁𝗮-𝗮-𝗽𝗼𝗿𝘁𝗮, 𝟮𝟰𝗵 𝗽𝗼𝗿 𝗱𝗶𝗮.

✅ 𝗖𝗼𝗻𝗳𝗼𝗿𝘁𝗼, 𝗰𝗼𝗺𝗼𝗱𝗶𝗱𝗮𝗱𝗲 𝗲 𝘁𝗿𝗮𝗻𝘀𝗽𝗮𝗿ê𝗻𝗰𝗶𝗮.
𝗔𝗻𝘁𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗲𝘀𝗰𝗼𝗹𝗵𝗲𝗿, 𝗰𝗼𝗺𝗽𝗮𝗿𝗲.
𝗔𝗻𝘁𝗲𝘀 𝗱𝗲 𝗽𝗮𝗴𝗮𝗿 𝗺𝗮𝗶𝘀, 𝗲𝘅𝗽𝗲𝗿𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗲 𝗧𝗩𝗗𝗘.

🚗 𝗧𝗩𝗗𝗘: 𝗢 𝗧𝗥𝗔𝗡𝗦𝗣𝗢𝗥𝗧𝗘 𝗗𝗢 𝗣𝗥𝗘𝗦𝗘𝗡𝗧𝗘. 𝗔 𝗠𝗢𝗕𝗜𝗟𝗜𝗗𝗔𝗗𝗘 𝗗𝗢 𝗙𝗨𝗧𝗨𝗥𝗢. 🇵🇹

🤝 𝗨𝗺 𝗣𝗮𝗿𝗰𝗲𝗶𝗿𝗼 𝗱𝗲 𝗖𝗼𝗻𝗳𝗶𝗮𝗻ç𝗮 𝗱𝗮 𝗔𝘀𝘀𝗼𝗰𝗶𝗮çã𝗼 𝗡𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹 𝗠𝗼𝘃𝗶𝗺𝗲𝗻𝘁𝗼 𝗧𝗩𝗗𝗘.

𝗝𝘂𝗻𝘁𝗮-𝘁𝗲 à 𝗠𝗮𝗶𝗼𝗿 𝗔𝘀𝘀𝗼𝗰𝗶𝗮çã𝗼 𝗱𝗲 𝗧𝗩𝗗𝗘 𝗮 𝗡í𝘃𝗲𝗹 𝗡𝗮𝗰𝗶𝗼𝗻𝗮𝗹👇👇👇

https://socios.quotasonline.pt/amtvde/inscricao.

09/06/2026

̧ão TVDE querem ser reconhecidos como serviço público de transporte de passageiros.
Os transporte de passageiros em veículos descaracterizados, os TVDE, querem ser reconhecidos como serviço público de passageiros, tal como os taxis. A plataforma conta “atualmente dezenas de milhares de profissionais e veículos" que alegam contribuir para a mobilidade da população e para a atividade turística.

A Associação Nacional Movimento TVDE (ANM-TVDE) propôs, junto dos partidos com representação parlamentar, que estas plataformas sejam reconhecidas como serviço público de transporte de passageiros, tal como acontece com os táxis. TVDE é a sigla para Transporte Individual e Remunerado de Passageiros em Veículo Descaracterizado.

Em comunicado, a ANM-TVDE avança que enviou esta proposta “a todos os partidos com representação parlamentar, no âmbito da revisão da lei n.º 45/2018”, pretendendo “a eliminação das atuais desigualdades entre os setores TVDE e táxi”.

A associação quer que “o setor TVDE seja reconhecido como serviço de transporte público de passageiros, em igualdade de dignidade e relevância para a mobilidade nacional relativamente ao setor do táxi”.

O Parlamento está a debater na especialidade alterações à lei que estabelece o regime jurídico da atividade de transporte individual e remunerado de passageiros em veículos descaracterizados a partir de plataforma eletrónica.

A ANM-TVDE espera que esta proposta seja contemplada e defende que a lei “deve assegurar condições de concorrência equilibradas entre os diversos operadores do mercado, bem como a proteção dos utilizadores dos serviços de transporte de passageiros”.

A estrutura assinala que os TVDE representam “atualmente dezenas de milhares de profissionais e veículos que contribuem diariamente para a mobilidade da população, para a atividade turística e para a economia nacional”.

A ANM-TVDE refere que a “recente proposta apresentada pelo PSD, que prevê a possibilidade de os táxis operarem através das plataformas TVDE”, reforça a necessidade de “garantir regras equilibradas para todos os profissionais que prestam serviços através das mesmas plataformas digitais”.

“A associação manifesta igualmente disponibilidade para que os operadores TVDE possam prestar serviço através de aplicações atualmente utilizadas pelo setor do táxi, promovendo uma maior integração tecnológica e liberdade de escolha para profissionais e passageiros”, acrescenta.

Citado no comunicado, o presidente da AMN-TVDE, Victor Soares, afirma que “o setor TVDE desempenha hoje um papel essencial na mobilidade nacional, assegurando diariamente o transporte de milhões de passageiros através de plataformas digitais disponíveis 24 horas por dia”.

“A legislação deve acompanhar esta realidade e reconhecer a importância estratégica do setor para o país”, sustenta.

https://expresso.pt/economia/transportes/2026-06-06-tvde-querem-ser-reconhecidos-como-servico-publico-de-transporte-de-passageiros-0f2e818f.

09/06/2026
09/06/2026

̧ão Foi um ano de investigação. Conversas intercetadas mostram familiaridade com várias figuras públicas. Uber da Droga liderava rede de tráfico com um sócio e apoio da própria mãe.

07 jun. 2026, 22:01

O Uber da droga dos famosos
Um traficante criou um serviço de entregas ao domicílio para clientes VIP. O editor de sociedade do Observador Pedro Rainho explica como funcionava a rede e quem fazia parte dela.
Esta é a história do dia da Rádio Observador: o Uber da droga dos famosos. Uma mensagem com o menu do dia, a encomenda e uma entrega à porta de casa. Este modelo de venda de droga surpreendeu a polícia, que investigava o traficante há muito, mas não conhecia os contornos do negócio, nem a lista de clientes VIP, estrelas das revistas, celebridades e membros mais ou menos influentes da sociedade. Durante dois anos, todos os passos foram vigiados de perto, as mensagens, os telefonemas, os encontros, a forma como a rede se espalhava no circuito familiar e fora dele. Um caso surpreendente, sobre o qual vou falar hoje com o editor de sociedade do Observador, o Pedro Rainho. Vamos entrar por dentro do esquema do Uber da droga, perceber como cresceu e como se desmoronou este negócio das entregas de droga porta a porta a clientes famosos. Eu sou o Pedro Benevides e esta é a história do dia de segunda-feira, 8 de janeiro. Olá, Pedro, bem-vindo.

Olá, é um gosto estar aqui.

Muito bem, o gosto é meu. Pedro, nós estamos a chamar a isto Uber da droga. Na verdade, a operação policial também lhe deu este nome e faz sentido que seja assim, não por causa da marca, mas pelo que aquilo representa na forma como este negócio era feito. Como é que era?

Sim, não tem nada a ver com a marca de transporte. De facto, essa dissociação tem que ficar bastante clara. Por que foi dado este nome à operação? Porque, na verdade, o que temos aqui é um traficante de droga, que ao invés de funcionar no método habitual, que é ter um local fixo onde os clientes iam buscar a droga, o que ele fazia, em muitos casos, era receber as encomendas e ir ter com os clientes, fosse à casa deles, fosse a uma festa, fosse a um brunch eletrónico, como eles chamavam. Portanto, tinha este modelo de receber encomendas e ir quase porta a porta entregar as encomendas que tinha recebido.

O que imagino que fosse confortável para os clientes.

É confortável e, sobretudo, é bastante discreto, porque permitia algum tipo de anonimato, de maior discrição, porque as pessoas não tinham que se deslocar, era ele que ia ter ao encontro delas e, portanto, ficavam de alguma forma mais protegidas.

E estando a falar de uma lista de clientes VIP, digamos assim, no sentido da fama e do estrelato, essa discrição era desejável. Agora, tu falaste dos brunches eletrónicos e é curioso porque a polícia quando começa a investigar este traficante de droga, na verdade, não fazia ideia deste esquema de entregas porta a porta.

Sim, numa fase inicial, a perceção que há é de que há um traficante de droga, que de facto tinha alguns clientes na sua rede de contactos, mas não havia a perceção clara de que havia este, vou chamar-lhe outra vez, modelo de Uber da droga. Isto depois vai ficando mais claro à medida que a investigação se desenvolve e a investigação começa pelo final de 2023, setembro, se não estou em erro. E, portanto, a partir daí e durante um ano, a investigação vai se consolidando e vai-se percebendo, efetivamente, que havia aqui um modelo muito específico de operação.

E o que a polícia descobre na forma como essa operação era feita, em termos de recursos humanos que eram usados, até à detenção do próprio traficante, o que a polícia vai descobrindo?

Sim, de facto, a rede vai crescendo. Vai ganhando forma, a perceção de que a rede era maior do que inicialmente se pensava. Portanto, a investigação começa com um tipo, um traficante, começa a seguir os passos a este traficante e depois o que é que percebe? Que a determinada altura, já no verão de 2024, entre maio, junho, julho de 2024, aparece um sócio do Uber da droga. Portanto, o que aconteceu, na prática, foi: as encomendas eram tantas que já não havia mãos, já não havia capacidade para dar resposta a todos os pedidos que chegavam de entrega de droga. E estamos a falar de co***na, L*D, M**A, uma série de dr**as psicadélicas. E como a determinada altura já não se consegue dar resposta a todos os pedidos, é preciso chamar um novo elemento para duplicar esforços.

A empresa estava a crescer, digamos assim.

A empresa estava a crescer, os clientes eram muitos e, portanto, era preciso dar resposta, foi se buscar um sócio. Mas não era só o sócio. A determinada altura, o que a investigação também percebe? Que a mãe do Uber da droga também tinha aqui um papel na investigação. Numa primeira fase, a perceção é de que a mãe deste traficante tinha um papel muito passivo. Como? Não sei se a expressão é conhecida, mas há uma expressão que se usa neste negócio do tráfico de droga, que é a casa de recuo. Isto pode servir para duas coisas: ou para guardar quantidades maiores de droga, num sítio protegido e mais discreto, ou guardar até material que sirva para depois acondicionar a droga. Falamos de frascos, de sacos, enfim, de tudo que seja material que depois sirva para guardar a droga e distribuí-la. E, portanto, o que se percebe numa primeira fase é que a mãe teria esta função passiva de casa de recuo. O que é que se percebe depois com o desenrolar da investigação? É que não só guardava material que era usado para preparar a droga, como também ia ela própria entregar droga ao terreno, chamemos assim. Houve, durante a investigação, uma série de vigilâncias feitas, de intercepções telefónicas que foram feitas pela PSP, e houve encontros entre a mãe deste Uber da droga e clientes que foram registados, que foram gravados, que foram acompanhados pela PSP. E ficou muito claro que quando o tal traficante não conseguia ir ao terreno ou porque estava de férias, nalguns casos isso aconteceuFalava ao telefone com a mãe, combinava o encontro e era a mãe quem ia fazer as entregas de droga. Deixa-me só fazer esta ressalva, que é: em tribunal, a mãe nunca prestou declarações. O próprio Uber da droga, o que disse sempre foi que a mãe não fazia ideia do negócio que ele mantinha, que não teve nenhuma intervenção, que ele de facto usava a casa da mãe, mas era para ele próprio fazer alguns consumos. Portanto, tentou sempre ilibar a mãe de qualquer intervenção neste negócio. Fez o mesmo com a mulher, que também chegou a ser suspeita de fazer parte desta rede. A PSP suspeitava que era ela quem preparava as doses de droga e também quem fazia a gestão financeira daquele negócio. Em tribunal, e a sentença foi lida no final de maio, apesar de ter sido durante muito tempo considerada suspeita e foi constituída argúida, a mulher deste Uber da droga foi completamente ilibada.

Portanto, tinha um sócio, tinha um apoio logístico da casa da mãe, tinha a mulher, que também de certa forma colaborava.

Era essa a suspeita da investigação, mas que não foi confirmada no final.

Entretanto, com os indícios todos que foi recolhendo, a polícia atuou e foi detê-lo. Como é que foi essa detenção, em que circunstâncias e depois o que a polícia encontrou na casa dele?

Um grande manancial de dr**as, não só na casa dele, mas também na casa do sócio, mas indo por partes. No final de novembro de 24, portanto, um ano e pouco depois de iniciar a investigação, o que a PSP considera é que já tinha prova suficiente. O Ministério Público validou essa perceção e portanto avançam para o terreno. É uma noite em que o Uber da droga, o traficante, vai a sair de casa, a PSP intercepta-o, entra em casa.

Vai sair de casa, ia para um negócio ou ia fazer uma vida normal de família?

A percepção que havia era de que ia haver ali um concerto ou um jantar, um momento em família e, portanto, a família estava a sair de casa.

A família é ele e a mulher?

Ele e a mulher. Eu não tenho a certeza se o filho estava presente. A informação que nós demos em novembro de 2024.

Menor?

Sim, oito anos. A informação que demos em novembro de 2024, quando demos as primeiras informações sobre este caso, era de que o filho também estava presente. Nos autos que eu encontro agora, não vejo referência muito explícita a isso.

Portanto, ia para um concerto, ia para um evento familiar, como uma família normal, de quem ninguém suspeitaria, imagino eu.

Mas a expectativa da PSP era até de que ele fosse ter com um cliente. Esse encontro acaba por não acontecer. Havia aqui um momento familiar de convívio, chamemos assim, um momento de lazer. A PSP interrompe esses planos e avança para a detenção do dealer, do Uber da droga, entra em casa dele, isto por volta das 20h00 de 28 de novembro de 2024. Entra em casa e o que encontra é numa série de espaços, no escritório, no roupeiro, numa série de espaços da casa, numa cômoda, dezenas e dezenas de pastilhas de L*D, M**A, imensas doses de co***na. Portanto, havia uma quantidade muito considerável de vários tipos de droga ali em casa.

E perante essas descobertas, o que diz o traficante de droga?

Nunca nega. O que ele faz desde o primeiro momento, tem uma atitude muito colaborante, indica as zonas, põe-se à disposição das autoridades para abrir portas. Nunca tem uma atitude confrontacional com as forças de segurança, com a PSP. Passado pouquíssimo tempo, cerca das 22h30 dessa mesma noite, portanto, duas horas depois desta intervenção junto do Uber da droga, a PSP intercepta o sócio no Marquês Pombal, na Praça do Marquês de Pombal, e logo ali faz a primeira revista e encontra também várias doses de vários tipos de droga. Portanto, confirmava-se que havia ali algum tipo de negócio. Seguem para um quarto alugado por esse sócio e encontram outro manancial de droga, dos vários tipos de droga, embalagens muito coincidentes com aquelas que já tinham encontrado na casa do dealer e muito dinheiro acondicionado numa bolsinha, onde estavam guardados cerca de €5.000.

E, portanto, o negócio é desmontado nessa altura. Nós estamos a falar de uma rede que alimentava as necessidades, nós já falámos aqui de uma espécie de lista VIP, estamos a falar de que tipo de personalidades é que eram clientes deste Uber da droga?

A lista de clientes é bem mais extensa, as que são arroladas como testemunhas no processo, eram cerca de 15 a 20 pessoas. Há ali três ou quatro nomes que se destacam dos demais. Estamos a falar de atores, de figuras que participaram, antigos concorrentes de reality shows, médicos, e portanto, pessoas com muita projeção pública, pessoas que facilmente são reconhecidas. Há também um atleta olímpico, um medalhado olímpico, portanto, há pessoas cuja referência é bastante fácil de identificar pelo nome ou pela fotografia.

Famosos que estavam aí nesta rede. Tu falaste da sentença, portanto, mesmo que este Uber da droga tenha sido condenado e já há pena.

Sim, na verdade, a condenação foi lida a 28 de maio. O julgamento não demorou muito tempo a ser realizado. Houve condenação para três dos quatro arguidos. Como eu dizia, há quatro arguidos: o Uber da droga, o sócio dele, a mãe dele e a mulher. Destes quatro, só três é que são condenados. Desde logo, o Uber da droga, que era o líder da organização, que é condenado a cinco anos e meio de prisão efetiva, sendo que ele já tem cerca de dois anos de prisão preventiva. O sócio, que é condenado a cinco anos e quatro meses de pena suspensa, e a mãe também, a cinco anos e creio que três meses, também ela de pena suspensa.

Portanto, o único que foi para a prisão foi efetivamente o Uber da droga.

Já lá estava.

Já lá estava. Sendo que esta não era a primeira experiência dele na prisão. Tem uma vida difícil.

Sim, há um contexto familiar muito complicado, há um contexto familiar de infância. Esta pessoa vivia com os pais e assistiu durante alguns anos a cenas de violência doméstica e de facto esta situação acaba de forma trágica quando num destes episódios de violência doméstica, quando o pai está a agredir a mãe, ele recorre a uma arma e dispara na direção do pai e acaba por matá-lo.

E foi preso por causa disso.

Cumpriu um ano de prisão efetiva e mais um ano em domiciliária, na altura, com 17 anos, se não estou em erro.

Pedro, obrigado.

Obrigado.

Eu conversei hoje com o Pedro Rainho, o editor de sociedade do Observador, que escreveu sobre esta rede de serviço de droga ao domicílio, onde foram apanhados atores, estrelas da televisão, participantes de reality shows, desportistas, mas também médicos ou assistentes de bordo. Provavelmente, um dos processos sobre tráfico e consumo de droga que mais figuras públicas envolveu nos últimos anos em Portugal. Esta foi a história do dia. A sonoplastia é do Rafael Pego, a música do genérico do João Ribeiro. Eu sou o Pedro Benevides. Até breve.

https://observador.pt/especiais/a-lista-de-clientes-vip-do-uber-da-droga-que-a-psp-apanhou-atores-um-atleta-olimpico-funcionarios-da-tap-e-concorrentes-de-reality-shows/?utm_term=Autofeed&utm_medium=Social&utm_source=Facebook&fbclid=IwZnRzaASS5FhleHRuA2FlbQIxMQBzcnRjBmFwcF9pZAo2NjI4NTY4Mzc5AAEeyw9h2c0uqFy4e1mQILhJtXNx6i755TJB4_EuoAbNU81xGE-V7Tj_YQyh9uk_aem_G8wxoCTDWoex19C7KA0ACA =1780866796

09/06/2026

Os transporte de passageiros em veículos descaracterizados, os TVDE, querem ser reconhecidos como serviço público de passageiros, tal como os taxis. A plataforma conta “atualmente dezenas de milhares de profissionais e veículos" que alegam contribuir para a mobilidade da população e para a atividade turística

Endereço

Lisbon

Notificações

Seja o primeiro a receber as novidades e deixe-nos enviar-lhe um email quando Em defesa do TVDE publica notícias e promoções. O seu endereço de email não será utilizado para qualquer outro propósito, e pode cancelar a subscrição a qualquer momento.

Entre Em Contato Com O Negócio

Envie uma mensagem para Em defesa do TVDE:

Compartilhar