27/03/2020
COMUNICADO ANTRAM
Face à informação veiculada recentemente em diversos meios de comunicação social, a ANTRAM vem fazer as seguintes considerações:
A ANTRAM não teve qualquer interferência nas decisões da Direção Geral de Saúde (DGS), autoridade com a qual, de resto, nunca manteve qualquer contacto.
A ANTRAM não chegou a qualquer entendimento com o Governo sobre sujeição, ou não, dos motoristas a quarentena.
O entendimento conhecido da DGS e, naturalmente, do próprio governo de Portugal, coincide, na íntegra, com o entendimento dos demais países europeus e com a própria Comissão Europeia perante a situação excecional que todos vivemos.
A ANTRAM tem mantido contactos com o governo no sentido de os motoristas serem mais protegidos e serem contemplados com a atribuição de equipamentos de proteção. A estes apelos tem o governo respondido com evidente preocupação e interesse, embora limitado pela escassez de máscaras e luvas.
O transporte de mercadorias é essencial para que Portugal e o povo português possa ultrapassar esta fase difícil. Sem ele, todos nós ficaremos pior.
A suspensão de alguns limites ao tempo de condução e repouso semanal, para além de temporária, visa agilizar o pouco transporte que ainda é realizado e, mais uma vez, enquadra-se no que vem sendo feito em vários países da União Europeia, alguns deles com tais medidas aplicadas há já mais de 15 dias.
Em Portugal existiu, aliás, o cuidado por parte de quem nos governa, de manter os limites máximos de trabalho semanal e mínimos de repouso diário. Em outros países da Europa, a suspensão de regras sobre tempos de condução e repouso foi muito mais ampla. Em todo o caso, diga-se, que nem as autoridades nem as empresas associadas da ANTRAM pretendem receber dos seus motoristas mais trabalho do que aquele que é devido pelos trabalhadores.
A ANTRAM e suas associadas estão essencialmente focadas em manter os postos de trabalho nesta altura que é também muito delicada para as empresas. As frotas da maioria das empresas estão praticamente paradas, os prejuízos são brutais, sem solução à vista e só em estado de união entre empresas e trabalhadores poderão ser encontradas soluções que permitam a sobrevivência de empresas e postos de trabalho.
Aos sindicatos e aos trabalhadores, pedimos que se foquem no verdadeiro problema e no que ele representa: um vírus que coloca em causa a sobrevivência das pessoas, das empresas e dos postos de trabalho.
Aos cidadãos e indústria, deixamos um pedido de respeito pelo nosso setor e pelos motoristas que, sabemos todos, desempenham um papel muito importante neste momento.
Se momento há para estarmos todos a puxar para o mesmo lado, esse momento é agora.
O que nos une é muito mais do que o vírus que, literalmente, nos separa.